Quatro atitudes iniciais para auxiliar crianças a progredirem nas suas habilidades de comunicação
Pais, mães ou outros responsáveis por crianças, muitas vezes, sentem-se solitários na tarefa de prepará-las para a vida, o que inclui a aquisição e o aprendizado de diversas habilidades. A comunicação, sabemos, é uma destas habilidades essenciais para que os pequenos possam ter sucesso, agora e no futuro, nos aspectos sociais, educacionais, profissionais, entre tantos outros.
Assim, diante de dificuldades de comunicação de seus filhos e suas filhas, tutores acumulam dúvidas sobre o que fazer no ambiente familiar ou em relação a suas atitudes, para auxiliar as crianças nestes casos, prevenindo, assim, problemas decorrentes destas dificuldades.
O que muitos não podem imaginar é que pequenas mudanças no ambiente no qual a criança está inserida ou alterações no comportamento das pessoas que convivem com ela podem ser suficientes para provocar progressos neste sentido.
“Meu filho não fala quase nada!”
“Meu filho não fala frases.”
“Meu filho fala muito pouco para a idade dele.”
“O que eu posso fazer para ajudá-lo em casa?”
Claro que cada caso é particular e que podem existir, por exemplo, causas neurológicas, sensoriais ou mentais que justifiquem um atraso na aquisição da linguagem oral, mas vamos partir do pressuposto, por enquanto, que se tratam de crianças sem quaisquer problemas orgânicos, embora o que se segue também possa ajudar, nestes casos.
Vou sugerir quatro atitudes que pais e mães podem tomar para ajudar seus filhos e filhas, em casa, a avançarem em seu amadurecimento e, assim, conquistarem um padrão de fala compatível com sua idade.
Antes de descrever, entretanto, estas quatro atitudes, alerto para a necessidade de os adultos que convivem com as crianças se perguntarem: “quero, de fato, que meu filho cresça?”
Pais e mães podem querer muito que seus filhos e filhas falem corretamente, se comuniquem através da linguagem oral, mas podem também relutar em aceitar que já não são mais bebezinhos. Dessa forma, continuam mantendo comportamentos que se aplicariam melhor a bebês do que a crianças mais crescidas, como crianças de dois anos e meio, de três anos de idade ou até com mais idade.
E por que isso é importante?
Porque a forma de uma criança falar está diretamente relacionada com seu amadurecimento. Quanto mais impulsionarmos a criança a se afastar de sua posição como bebezinho, mais a estaremos ajudando a querer crescer. E crescer significa, entre outras coisas, utilizar a linguagem oral para se comunicar.
Então, vamos às quatro atitudes iniciais para impulsionar suas crianças ao crescimento.
A primeira
Coloque a criança para dormir no quarto dela, na cama dela. E eu falei cama, e não berço. Se ela ainda dorme em berço, venda o berço e compre, então, uma caminha para ela. Se os pais tiverem uma atitude positiva em relação a isto, a criança pode participar do processo, escolhendo a cama e ajudando na decoração de seu novo quarto. Depois, sensibilizada com a situação de bebês que não têm um berço para se aconchegar, poderá ser motivada a engajar-se na divulgação da venda do berço ou da doação do móvel a alguém ou a uma instituição.
A segunda
Deixe de oferecer a chupeta à criança. Só traz desvantagens, em vários aspectos, principalmente depois de um ano de idade (e este tema merece discussão à parte). Uma criança de um ano de idade terá muito mais facilidade para abdicar do hábito do que uma criança mais velha. Quanto mais passar o tempo, a tendência é que a dificuldade aumente. Posso dar meu exemplo pessoal. Numa viagem para São Paulo com meu filho, dias depois de ele completar um ano de idade, esqueci de levar sua chupeta. Lá, diante de tantos estímulos diferentes e da alteração da rotina, ficou mais fácil, para todos, abrir mão deste acessório. Retornando a casa cinco dias depois, foi só prosseguir – sem chupeta.
A terceira
Desfaça-se da mamadeira, se possível, antes da criança completar dois anos de idade e, impreterivelmente, antes que complete três anos. Comece a lhe oferecer o copo e isto pode ser feito de forma gradual. Inicie diminuindo uma das mamadas, depois vá reduzindo – com poucos dias de intervalo – o número das mamadas, até que reste apenas uma por dia (ou por noite). Então, acabe com esta última. Ao longo destes dias, destaque as desvantagens da mamadeira, como o cheiro enjoativo do bico ou a demora em beber o leite (o ideal é não aumentar o furo do bico…). Enalteça as habilidades da criança que se relacionam com o fato de ela estar mais crescida e o quanto você a admira por isso. Inicialmente, se a criança não estiver habituada com o copo, pode lhe dar um copo plástico com tampa para treinamento ou copo com canudo e, à medida que se acostuma, pode começar a utilizar o copo comum, sem tampa adaptada ou canudo.
A quarta
Providencie o desfralde. Não adie este momento. Em geral, entre dois e três anos de idade a criança terá controle suficiente para iniciar o processo. Podem ser utilizados adaptadores de assento com suporte para apoio dos pés ou mesmo o “troninho”. Nas lojas é fácil encontrar modelos diversos, desde os mais simples àqueles equipados com música e luzes. O desfralde durante o dia, enquanto a criança está consciente, é mais fácil e, depois da estabilização desta conduta, será a vez do desfralde à noite.
Sei que cada uma destas atitudes envolve trabalho e disposição por parte dos pais, mas podem ser tomadas de forma gradual, sem ser tudo de uma vez. O importante é que, uma vez tomada a decisão, haja a manutenção dos objetivos, sem voltar atrás. Seja firme. Com carinho, com afeto, com paciência, mas seja firme.
Um exemplo: se a instrução é “A partir de amanhã você vai dormir na sua cama, no seu quarto. Eu vou ficar com você até você dormir. Depois eu vou para minha cama descansar, mas se você precisar de mim, me chame; eu voltarei aqui, ficarei com você até você dormir de novo”. Se a instrução é essa, mas no primeiro choro da criança – ou no segundo ou no terceiro choro – o plano for modificado, o resultado disso é que a criança vai aprender que ela tem que chorar, e chorar bastante, para conseguir o que quer. E isso vai dificultar ainda mais as coisas.
Então, não abra mão do plano, nem que isto custe muitas saídas da cama, o adiamento do seu descanso e algumas noites dormindo mal, mas mantenha o combinado.
Pode ser difícil, mas vai valer a pena. E não se espante se, iniciado todo este processo de mudança, a criança, então, também mudar seu jeito de falar: começar a aumentar vocabulário, a formar frases ou a falar de uma forma mais inteligível.
