FAÇO DE CONTA QUE ENTENDI?

Já ouvi várias vezes, as perguntas: “O que faço quando meu filho fala alguma coisa e eu não entendo? Devo fingir ou digo que não compreendi?”

Minha resposta é bastante simples.

Solicite que ele repita. Não entendeu de novo? Diga que tente explicar ou falar usando outras palavras. Se ainda não compreender, lhe dê mais uma chance. Sem sucesso, pode solicitar que mostre algo, desenhe ou use recursos expressivos corporais, como a mímica.
Entretanto, dependendo do conteúdo do que a criança quer dizer e do tempo disponível do ouvinte, não será possível esta última alternativa.
Desse modo, resta dizer à criança que não consegue entendê-la e que, em outro momento, ela vai tentar falar aquilo de novo. Jamais deve fingir compreendê-la.
Preciso frisar que tal orientação é geral, pensando em crianças que não têm problemas adicionais que justifiquem dificuldades na linguagem oral, pois, se houver qualquer suspeita dos pais de que existe um comprometimento, é preciso procurar profissionais especializados para avaliações, exames e tratamentos adequados.
Caso a criança tenha algum dificuldade específica, existem recursos como sistemas de comunicação alternativa e linguagem de sinais, por exemplo. Ainda assim, em qualquer situação de comunicação, é recomendável que o ouvinte se manifeste quando quem lhe fala não o fizer de forma eficiente.
Então, se o seu filho pequeno ou sua filha pequena que está no processo inicial de aquisição de linguagem não se fizer entender, você deve dizer a ele ou ela, claramente, que não entendeu, oferecendo seu feedback ainda que gere frustração em ambas as partes.
Se a criança ficar muito desapontada e tiver uma reação de choro, evite dar a ela chupeta, mamadeira ou alimento, a menos que o motivo seja fome ou sede. Afinal, queremos que ela consiga elaborar seus sentimentos com ajuda da reflexão e da comunicação. Se tamparmos sua boca, como poderá falar? No lugar do bombom, da bala, do sanduíche ou da chupeta, podemos oferecer-lhe palavras e acolhimento.
Conscientizar-se que sua fala deve corresponder aos elementos utilizados pela comunidade linguística levará a criança a tentar aproximar a sua produção verbal da produção verbal das pessoas à sua volta.
Diga a ela: “Você ficou chateada porque não entendi o que você falou. Eu também ficava quando era pequena e não sabia falar tudo o que queria. Mas aprendi e você está aprendendo”. Em seguida convide-a para brincar, para ouvir uma história, para ver o cachorro ou para, pertinho de você, olhar o formato das nuvens enquanto deitam ao sol. São tantas as possibilidades…
Se a criança ficar muito zangada e chorar durante um tempo mais prolongado, providencie que ela não fique só e espere passar. Vai passar e a vida continuará.
Irão surgir outros momentos de tentar falar aquilo que não conseguiu. E cada vez que tentar, aprimorará gradualmente a articulação e o arranjo das palavras, até se fazer entender.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *