“Mãe não é só aquela que dá à luz seus filhos, mas a que trata como filhos aqueles que não são seus”.
Esta frase foi de autoria de um amigo de meu falecido irmão. Eu o conhecia, a este amigo, como Jota. Não sei mais nada sobre ele. Mas, nas minhas lembranças, tenho guardado que ele gostava de escrever e também de coisas naturais, como mel e alho quando se está gripado.
Tinha entre nove e doze anos de idade quando o conheci e o perdi de vista, mas esta frase que fala do valor do tratamento que as mães dão aos seus filhos, sempre me acompanhou. Foi um aprendizado. Vali-me dela para algumas dedicatórias dirigidas a pessoas que fizeram um diferencial na minha vida e na vida de meu filho.
E por que esta reminiscência? Porque, hoje, decidi iniciar meu blog referindo-me às mães que me procuram para saber como ajudar seus filhos e filhas a se comunicarem com eficiência e esta frase do Jota veio imediatamente à minha mente.
Não são só mães, contudo, que me procuram; são também pais, bem como avós, tios, professores e irmãos mais velhos. São os adultos que exercem influência determinante no futuro destas crianças, que veem neles um modelo a ser seguido.
Então, não basta e nem é necessário gerar um filho para alguém se tornar pai ou mãe, porque trata-se de uma função. Sem escolas para este exercício, assumimos e exercemos tal função baseados fortemente na nossa experiência de estarmos do outro lado da linha desde crianças, como filhos, sentindo e observando. E, apesar de, hoje, termos acesso fácil à informação, ainda assim, temos dúvidas e, não raro, olhamos para nossas crianças como um enigma a ser decifrado.
Será que seu desenvolvimento está acontecendo como o esperado? Será que já não deveria estar falando? Quando vai deixar de usar fraldas? Parece que não escuta bem… É normal querer brincar sozinha? Dou meu celular para se distrair? E se, de noite, tiver um pesadelo e eu não estiver por perto? Preciso por de castigo quando me desobedecer?
E vêm as preocupações, principalmente com o futuro, diante de um mundo com a presença cada vez mais forte da tecnologia, dia a dia.
Fonte de entretenimento, conforto e acesso à informação, a tecnologia também será a exímia substituta de muitas tarefas exercidas pelo ser humano como, por exemplo, as aplicadas em linhas de montagem ou realizadas por recepcionistas; os serviços de entrega; as operações de telemarketing, de dados contábeis, de vendas, de diagnósticos médicos; as funções administrativas de instituições financeiras, entre outras tantas. Como será o futuro das nossas crianças? Qual será o lugar delas em meio à ampliação da inteligência artificial e do aprendizado das máquinas?
Podemos supor que há habilidades propriamente humanas que não poderão ser robotizadas, como a capacidade de manter uma conversa baseada não apenas na compreensão do que o outro lhe diz, mas na percepção de uma série de informações simultâneas que podem concorrer com a literalidade do que foi dito: a expressão facial, o ritmo e o volume da fala, a movimentação corporal, a direção do olhar e tudo mais que faça parte da cena do momento. Além disso, existe a história pessoal de cada um, suas lembranças, sua capacidade de improvisar e de surpreender pelo uso da ironia e das metáforas. A empatia, por sua vez, permite a leitura alternativa das prováveis emoções de quem nos fala, constituindo-nos como ouvintes sensíveis e interlocutores únicos em cada oportunidade de nos comunicarmos.
A competência em comunicação, portanto, é habilidade essencialmente humana e fundamental para um bom desempenho social, profissional, cultural e educacional. Influencia, ainda, o equilíbrio emocional das pessoas, oferecendo-lhe oportunidades não só de interação com o outro, mas de decifração do que se passa em seu interior. Recursos linguísticos permitem um aumento no repertório que define e permeia pensamentos sobre nós mesmos, sobre nossas atitudes, sentimentos e escolhas. Queremos este privilégio para nossas crianças: que sejam bons ouvintes, bons falantes, bons leitores, bons escritores. Que sejam ótimos!
Pais e mães ou quem exerça tais funções não precisam estar sozinhos na busca pelo que desejam de melhor para seus filhos e filhas.
Se a tecnologia pode ser, em alguns aspectos, ameaçadora, em muitos outros é extraordinária. Entre suas vantagens está a chance de aproximar quaisquer pessoas com interesses comuns. E se o seu interesse é esclarecer dúvidas sobre o desenrolar do desenvolvimento linguístico de sua criança, se não sabe por onde começar ou o que fazer para ajudá-la a falar as primeiras palavras ou para motivá-la a ler e escrever, se não consegue manejar sua rotina, acrescentando atividades compartilhadas e que favoreçam o diálogo com elas, deve buscar apoio.
Os tutores podem e devem ser escutados, informados e orientados. Encontrando uma escuta diferenciada às suas histórias pessoais, fica mais fácil encontrar alternativas para solucionar situações que pareciam muito difíceis de serem resolvidas. Hoje existe, além dos atendimentos presenciais, a possibilidade dos atendimentos on-line. É possível reunir e compartilhar filmagens e áudios para observação de comportamentos e coleta de dados, além da realização de entrevistas e consultorias com os responsáveis pelas crianças. Tais procedimentos permitem a análise e compreensão das situações vividas, o planejamento e aplicação de estratégias sob monitoramento e a obtenção dos resultados que os pais tanto desejam. Sem deslocamento, ou seja, de forma mais segura, mais rápida e mais econômica. É a modernização a nosso favor.
Pode haver um ajuste entre a idiossincrasia do ser humano – como suas reminiscências, como a linguagem – e a exatidão tecnológica. Potencializar a comunicação das crianças é equipá-las para conhecerem a si mesmas e o que está ao seu entorno, para examinarem as situações a si relacionadas, para se capacitarem, para fomularem planos e tomarem decisões, encontrando seu lugar no futuro. Isto é tratá-las como filhos: prepará-las para andarem por si mesmas quando já não estivermos por perto.
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